Estilo e marca
Onde: Curitiba • 26 de Outubro - 2026 |
Quando a moda e a arte, se mesclam à nossa identidade.
Curitiba vive uma safra de movimentos criativos que prova algo fundamental para quem trabalha com construção de imagem: a moda nunca está isolada em seu próprio universo. Ela dialoga com a arte, habita as paredes, traduz a história pessoal de quem idealiza e se manifesta de diferentes formas.
Neste mês, o circuito local ferveu com ativações que nos lembram que construir uma marca—ou curar ela com o tempo—exige olhar para além da moda. Trata-se também da atmosfera que nos rodeia, dos locais que absorvemos, e das conexões incríveis que geramos no cotidiano entre esses universos que se entrelaçam.
Nada mais efervescente que estar envolvida em cheiros que nos acolhem, nos restauram e nos ajudam a criar memórias. E a expert brasileiríssima Granado, do Shopping Mueller promoveu um workshop intimista pela perfumista internacional Helen Augusta, que foi muito além do óbvio de apresentar os lançamentos da casa. A conversa trouxe um preciosismo conceitual essencial: a distinção técnica de que "aroma" diz respeito ao paladar (a junção do olfato com o gosto), enquanto a perfumaria opera no campo do olfato e da memória.
Para quem trabalha com branding, o detalhe semântico é revelador. Marcas maduras controlam o vocabulário, educam seu público e tratam a experiência sensorial como parte indissociável da identidade. O cheiro de uma marca é a sua assinatura invisível—e entendê-lo é o passo definitivo para fixar uma lembrança na mente do consumidor. Pensar no cheiro de marca, é superimportante para construção diária, que é necessária para a constância dessa narrativa.
E falando em mundos que se entrelaçam e narrativas que se sustentam, na segunda edição da mostra "Vestir o Olhar” no Pátio Batel, além dos painéis sobre os rumos da criação, o projeto abriu espaço para ativações manuais que tiram o público da posição de espectador e colocam no centro. Tive o privilégio de participar de uma oficina conduzida pela talentosa artista Lisiani Serea, onde trabalhamos na criação de um quadro utilizando tecidos, costuras, linhas e aviamentos. O resultado desse exercício—de dar corpo a retalhos e transformar em composição visual—foi tão potente que ganhou o status definitivo na sala da minha casa. A decoração para mim é como parte essencial da construção da marca, ela traduz de forma estrutural e física nos mínimos detalhes os significados, os porquês e deixa muito claro o que queremos celebrar no dia a dia. Celebrar é primordial, mas no pós-pandemia ficou ainda mais, e por isso o tempo é tão precioso para todos, e as experiências têm feito cada vez mais parte das nossas vidas porque elas auxiliam nesse lugar, de parar o tempo, para apreciar algo.
A Seiko fez 145 anos no Funik, e nos fez parar para admirar a essência deles, que é originalmente japonesa, e abraça suas formas geométricas, jogando entre luz e sombra. Eu amei na coleção feminina que eles trouxeram a riqueza da seda nos mostradores, essas texturas onduladas e brilhantes, criam um visual chic e fluido. O relógio deixa de ser funcional para ser muito mais que isso, ele constrói a marca em conjunto, criando mais uma camada nessa composição diária que chamamos de look. Para o masculino a marca apostou em uma peça comemorativa de mergulho em parceria com a PADI, com degradê impecável, mas que já esgotou nas lojas da BigBen (do Grupo Bergerson) — , a conexão entre o design minimalista japonês e a curadoria do espaço, gastronomia e público, confirmam o quanto o branding em todos os seus pontos de contato, são realmente o que faz uma marca se manter atual e consolidada.
Criar uma marca, seja de uma pessoa ou de um produto, não é tarefa fácil, são muitos itens a serem pensados, planejados e colocados em prática dia após dia. Muitas vezes de forma repetitiva, seja na comunicação ou no visual, porque estes pontos criam constância, e só ela, consolida uma marca. Quanto mais formos fiéis aos atributos e propósitos da nossa marca, mais ela consegue existir e ser relevante, em um momento em que temos tantas coisas acontecendo, e o foco é muito facilmente perdido, persistir é a chave.
A Maison Ivy Tavares nasceu com uma história de impacto, por uma mulher que persiste em escolher renascer e viver, ela foi publicada na Elle em sua edição física, junto com um publieditorial da marca, que exemplifica seu DNA feminino e focado nessa mulher, que quer viver tudo. A coleção de verão, inspirada nas grandes pinceladas de pintores renomados, aposta em tecidos ultra delicados e festivos, e em seu desfile que foi milimetricamente orquestrada com trilha sonora assinada pelo DJ Pedro Soares, clicado por Vitor Augusto, beleza assinada por Augusto W e a assessoria de imprensa de Marcus Contin, deram vida a uma estética de frescor. Do relógio de manufatura à tela costurada à mão, o que as marcas nos mostram neste mês é que Moda e Arte não se distanciam; elas se fundem para vestir paredes, vestir corpos e, acima de tudo, expressam a nossa identidade no mundo.

